História do jogo de Xadrez: onde tudo começou

Denise havia acabado de retirar um livro da estante do Clube de Xadrez Genial quando Glória percebeu que havia alguma coisa muito estranha naquela história.

Na capa estava escrito Histórias do Jogo de Xadrez. Mas, quando as meninas olharam uma das primeiras ilustrações, Glória imediatamente procurou uma peça que conhecia muito bem.

Ela não estava lá.

— Professora Marla… cadê a rainha?

Marla sorriu.

— Para responder isso, vocês vão precisar voltar quase quinze séculos no tempo.

Glória e suas amigas descobrindo a história do jogo de xadrez no Clube de Xadrez Genial

Uma descoberta na estante do Clube de Xadrez Genial dá início a uma viagem pela história do xadrez.

Antes da rainha existir, havia um exército

A origem exata do xadrez ainda é discutida, mas a explicação historicamente mais aceita leva à Índia, por volta do século VI.

Ali existia um jogo chamado chaturanga, considerado um dos principais ancestrais do xadrez moderno.

Marla mostrou outra página do livro.

— Observem as peças.

As meninas se aproximaram.

Em vez do exército que conheciam no tabuleiro atual, apareciam unidades relacionadas às quatro divisões tradicionais de um exército indiano:

  • infantaria;
  • cavalaria;
  • elefantes;
  • carros de guerra.

Glória apontou para a ilustração.

— Então isso aqui já era xadrez?

— Era um ancestral dele — explicou Marla. — E essa diferença é importante. O jogo ainda mudaria muito antes de se tornar o xadrez que vocês conhecem.

Denise olhou novamente para o livro.

— Então o bispo também não era bispo?

Marla assentiu.

Algumas peças mudariam de nome, significado e movimento ao atravessar diferentes culturas.

E aquela seria apenas a primeira transformação.

Porque o jogo estava prestes a deixar a Índia.

Glória, professora Marla, Keyla, Denise e Rosana observam uma ilustração do Chaturanga no Clube de Xadrez Genial

O chaturanga, praticado na Índia antiga, é considerado um dos principais ancestrais do xadrez moderno.

O jogo saiu da Índia e começou uma longa viagem

Com o passar do tempo, o jogo chegou à Pérsia, onde ficou conhecido como shatranj.

Depois da expansão islâmica pela região, ele continuou se espalhando pelo mundo árabe e alcançou novos povos e territórios.

Glória passou o dedo pela ilustração no livro.

— Então cada lugar mudou um pouco o jogo?

— Ao longo de muitos séculos, sim — respondeu Marla. — Algumas coisas permaneceram. Outras ganharam novos nomes, significados e regras.

Uma das amigas sorriu.

— É quase como uma história que vai passando de uma pessoa para outra.

— Só que, nesse caso, ela atravessou continentes.

O tabuleiro continuava viajando.

Glória ainda observava a ilustração.

— Então o chaturanga virou o shatranj… e depois virou o xadrez?

Marla sorriu.

— Ainda não.

As meninas olharam para ela.

— O jogo ainda teria que atravessar outros lugares, encontrar novos povos e passar por mudanças muito importantes.

Denise segurou o livro um pouco mais perto.

— Mais importantes do que essas?

— Algumas mudariam até a maneira como certas peças se movimentavam.

Glória imediatamente se lembrou da pergunta que havia feito no começo daquela história.

— Inclusive a rainha?

Marla fechou parcialmente o livro.

— Principalmente ela.

Glória arregalou os olhos.

A peça que havia procurado desde a primeira página ainda guardava um segredo.

E para descobri-lo, elas teriam que acompanhar o jogo até seu próximo grande destino:

a Europa.

A história continua

O xadrez ainda estava longe de assumir a forma que conhecemos hoje.

Na próxima parte, Glória e suas amigas vão descobrir como o jogo chegou à Europa, por que as partidas medievais eram tão diferentes e qual transformação fez a rainha se tornar uma das peças mais poderosas do tabuleiro.

Continua…

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